Kompong Phluk: visitando um vilarejo flutuante no Cambodja

Se você está visitando templos de Angkor no Cambodja e quer descobrir o que mais essa região guarda para você, uma dica imperdível é  Kompog Phluk (ou Kampong Phluk). Lá você terá uma mudança de cenário e vai adentrar o lago Tonle Sap para descobrir no meio dele um vilarejo onde moram centenas de famílias em casas construídas sobre palafitas. Uma visita à vila oferece uma boa visão sobre o modo de vida dessas pessoas que vivem do fluxo do lago.

Talvez você já tenha ouvido falar de Chong Kneas, aldeia flutuante fortemente explorada turisticamente e mais acessível, mas depois de alguma pesquisa descobri Kompong Phluk e fiquei fascinada. Apesar de ser um pouco mais distante vale muito mais a pena.

O passeio por Kompong Pluk foi um dos mais incríveis da viagem pelo Sudeste Asiático. Não é todo dia que nos deparamos com vilarejos erguidos sobre as águas, que ao invés de carros, são barcos os meios de transporte utilizados. A sede do vilarejo, a escola, o posto de saúde, tudo está sobre as águas na maior parte do ano, erguidos em assimétricas estruturas de madeira que se sobrepõem de uma maneira bizarra, mas que ficam em pé e ali servem de abrigo para algumas centenas de famílias.

Cambodja edited2-002 O passeio que durou cerca de 5-6 horas começou cedinho, pois o caminho era longo. Saímos de Siem Reap e passamos por regiões periféricas bem pobres. Vimos o problema do lixo espalhado por todo o caminho, vimos pessoas simples, trabalhadores da roça, pescadores na beira dos rios, crianças voltando da escola, muita gente vivendo do turismo. Depois de cerca de 40min de tuktuk chegamos no vilarejo Roulus, e pegamos o barco que nos levaria ao nosso destino final.

Chegando lá no vilarejo, tivemos a oportunidade de deixar nosso barco maior pra dar uma volta em meio as “ruas” paralelas com um pequeno barco local. A nossa guia era uma mocinha local, que levava sua filha de 2 anos consigo a bordo. A comunicação é bem complicada, nada de inglês. Mas ela se comunicava muito bem com os olhos e víamos claramente que ela estava feliz em nos receber. Até ganhei uma flor dela!

Com a difícil comunicação, tivemos que tirar nossas próprias conclusões e fazer alguma pesquisa para entender melhor o funcionamento do vilarejo. A população local vive da pesca, mas sua alimentação não se baseia apenas nisso (vimos alguns porcos em anexos às casas flutuantes). O lago é a fonte de água deles e é onde eles fazem todo o serviço de casa, lavar roupa e louça, tomar banho, etc.

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Somente como um parênteses, acho válido parar para analisar esse tipo de turismo, que é como quando os gringos vem para o Rio de Janeiro fazer tour nas favelas. São maneiras diferentes de viver, que saltam aos olhos de quem vem de longe. Foi um passeio incrível e eu iria de novo. Mas apenas como reflexão, é importante pensar em quão invasivo é esse tipo de turismo e como se cria uma indústria voltada para isso, uma indústria que vive da pobreza do outro.

Já demos aqui algumas dicas para você planejar sua viagem para o Cambodja. Fique de olho que vem mais por aí!

INFORMAÇÕES ÚTEIS

Como chegar: a partir de Siem Reap, você deve ir por terra e depois pelo rio até o vilarejo fica localizado a cerca de 40min de tuktuk + 40min de barco.

Quanto custa: fechamos o passeio na recepção do nosso hotel (Garden Village) e fizemos um pacote por US$60 (com transporte e entrada inclusos), que segundo eles independia do número de pessoas que iriam. No fim, como éramos 3, pagamos US$20 cada.

Chegando lá, o passeio de barco local é pago a parte e custa US$5 por pessoa.

Em que época do ano ir: Kompong Phluk aparecerá diferente dependendo da época que você visita, fui em Dezembro, que ainda tem o lago cheio devido à wet season (época das cheias) e achei ótimo, mas vi muitos depoimentos de pessoas que foram na dry season (época da seca) e que gostaram muito do passeio também. As chuvas são de Maio a Outubro, provenientes das monções.

O que é essencial levar: como um bom turista, leve bastante água, protetor solar, repelente e sua câmera.

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