É hora de partir

Sabe aquela sensação de que chegou a hora? Aquela jorrada de sensações, medos, incertezas, e pensamentos a mil? É chegada a hora de partir.

Não sei o que está por vir, quem vai cruzar meu caminho, o que pode acontecer quando eu passar pelo portão de embarque, se a saudade vai ser grande ou enorme, se a adaptação vai ser tranquila ou dolorosa, se o meu novo lar vai ser tão acolhedor quanto o atual, se vou sobreviver à distância do arroz com feijão, do chopp de lei com as amigas ou daquele abraço da vovó.

Quantas coisas estão sendo deixadas para trás… Uma vida inteira dentro de uma ou duas malinhas de 23kg? Quem foi que inventou essa regra estúpida? Quero poder carregar tudo comigo, aquela minha manta de infância, a minha coleção de livros que tanto prezo, minha caixa de lembranças, aquela jaqueta de inverno (vai que faz frio demais), meus 10 pares de Havaianas, e por quê não meu cachorro?

O que estou fazendo aqui nesse guichê embarcando para a maior loucura da minha vida??? Exatamente isso: indo ao encontro do inesperado. Tento pensar conscientemente: o que estou prestes a fazer é soltar todas as minhas amarras e partir para a melhor montanha russa que já estive na vida.

As sensações são as mais variadas possíveis, do desespero à gratidão. O frio na barriga é forte, a vontade de rir e chorar ao mesmo tempo é constante, mas o momento é esse, tem que ser agora. Se não agora, quando? O que está me segurando no chão? Quais são os motivos para eu estar aqui e não lá?

E aí eu voltei. Não exatamente eu, mas uma versão melhorada de mim mesma. Aquela versão 2.0, mais potente, pronta para qualquer estrada, encarando qualquer desafio.

Como uma criança indo para a escola no primeiro dia de aula, eu mal podia suportar a ideia de deixar o colo de mãe, e agora eu tenho a estranha sensação de que lá é meu lugar. Lá onde? No mundo, por que não?

Um misto de pertencimento e desprendimento (ao mesmo tempo) tomam conta de mim e eu tenho certeza que nunca mais serei completa em um lugar apenas, pois parte de mim ficou para trás por onde passei. E parte dos lugares e das pessoas que cruzaram meu caminho ficou em mim, se incorporou no meu ser e nada mais posso fazer senão aceitar que agora sou plural, sou do mundo!

A palavra Wanderlust entrou sem pedir licença na minha vida e agora não sai por nada! Impregnou cada cantinho do meu corpo com esse desejo enorme de caminhar, de seguir em frente, de ir rumo ao desconhecido.

E assim eu sigo, sempre ansiosa pelo próximo destino e por novas experiências para minha mala de aventuras.

Por Gaia Vani

Créditos da foto: Júlia Viegas, nossa amiga e viajante de carteirinha, como a gente. Obrigada por todo o apoio Ju! <3