Tudo que você precisa saber para planejar seu trekking pelo Vale do Pati

O Vale do Pati é considerado um dos destinos de trekking mais bonitos do Brasil. Se você está planejando sua viagem para lá, descubra como chegar, onde se hospedar, as melhores agências e guias e o relato sobre a nossa aventura por lá. Veja também fotos incríveis desse destino, perfeito para quem curte natureza.

Para encarar o Vale do Pati é importante estar em forma, pois as trilhas são longas e cansativas. Geralmente os passeios variam entre 2 e 6 dias, dependendo do tempo que você tem disponível e do seu fôlego. A hospedagem é na casa dos locais, o que torna a experiência ainda mais rica.

Confira aqui nosso passo a passo para planejar sua viagem para a Chapada Diamantina

Nossa experiência

Nossa experiência? Foram dois dias muito intensos, com mais de 20km de trilha por dia. Se me perguntarem se valeu a pena todo o esforço, eu digo que faria outras mil vezes. Fiquei apaixonada pelo lugar! Na minha opinião esse é o melhor passeio da Chapada Diamantina, aquele que não pode ficar fora do roteiro.

Como o tempo mudou quando amanheceu no segundo dia, decidimos não estender nossa estadia, apesar de existirem roteiros para até 6-8 dias. Mas dois dias foram de bom tamanho, já deu para ter um gostinho e dar vontade de voltar.

Fizemos o circuito que entra por Guiné, passa pela Igrejinha (um dos locais de pernoite, ótimo local para descansar e beber uma água fresca), Cachoeira dos Funis, chegando no final do dia na Casa da Dona Raquel, onde pernoitamos. Ficamos 100% satisfeitos com o pernoite lá: comidinha caseira deliciosa, camas confortáveis e banho! Além da simpatia, claro.Casa da Dona Raquel Vale do Pati Chapada DiamantinaO segundo seria para subir o Castelo, mas por causa do tempo optamos por fazer o roteiro previsto para o terceiro dia, que era iniciar o caminho de volta, que passando pela Toca do Gavião até o Cachoeirão, chegando ao nosso ponto de partida, Guiné.

Durante o caminho até o Cachoeirão quase desistimos de ir, pois estava chovendo e frio. Nem todos estavam com roupas adequadas, então estava bem desconfortável a caminhada, mas fomos até o final. Chegando lá, o tempo estava horrível, mas pelo menos dava pra ver o vale.

Sentamos para fazer um lanche, e ta-daaa: abriu!!! Foi uma felicidade quando abriu. Além da paisagem ter ficado mais bonita, conseguimos aquecer o corpo. Depois de tanto tempo embaixo de chuva fina, foi uma benção.

Em termos de dificuldade, boa parte da trilha é feita nos campos planos, chamados de Gerais. Apesar das longas distâncias, a trilha não é tão pesada. Porém, há alguns trechos de subidas e descidas puxados, que demandam bastante as pernas e, principalmente, o joelho. É importante estar com um bom condicionamento físico.

Ah! Um detalhe importante: como nos hospedamos na casa dos nativos, levamos só uma mochilinha de ataque, com água e alguns lanchinhos. Isso foi ótimo para aguentar todas as horas de caminhada.

Juro que essas fotos abaixo foram tiradas com o intervalo de 1h.Mirante do Cachoeirão Vale do Pati Chapada DiamantinaMirante do Cachoeirão Vale do Pati Chapada DiamantinaO nosso guia foi o Clei, da Agência Bicho de Serra (Vale do Capão). Além de ter sido uma ótima cia, ele preparou um lanchinho especial pra gente: sanduíche incrementado com atum, queijo, salame, pepino, beterraba, tomate e molho de mostarda, muitas frutas e uma nutella pra complementar. Imaginem esse banquete bem no meio da trilha: deliii!02-03-DSC_0213

Qual é a melhor época para ir

Geralmente, a estação seca é de abril a outubro, e a estação das chuvas é de novembro a março.

Cada uma tem seus pontos positivos e negativos: enquanto a estação das chuvas deixa as cachoeiras volumosas e bonitas, pode ser bem desagradável fazer trekking debaixo de chuva forte.

Fomos no final de Dezembro e não chovia fazia tempo, portanto o Cachoeirão não tinha nenhuma queda para contar história. Dizem por lá que ele chega a ter até 22 quedas na época das chuvas. Imagina que espetáculo! Mirante Vale do Pati Chapada Diamantina

Como chegar

Confira aqui como chegar na Chapada Diamantina de carro, ônibus ou avião.

Para chegar ao Vale do Pati há vários caminhos. Dependendo da sua escolha você passará por atrativos diferentes e terá níveis de dificuldades diferentes. As principais rotas saem do Capão, Andaraí ou Guiné.

Nós pegamos a trilha por Guiné. Deixamos o carro em um sítio, andamos uns 40 minutos, depois tivemos que enfrentar uma subida bastante íngreme. No início, ao vermos o paredão de pedra na nossa frente, ele parecia intransponível, mas para a nossa surpresa, havia uma trilha ali. Ao final da subida, a vista que tivemos foi essa:Trilha Guiné Vale do Pati Chapada Diamantina

A trilha continua por um longo campo plano e, depois, uma descida extremamente íngreme para acabar com nossos joelhos.

Onde se hospedar

Lá dentro do vale há algumas famílias que recebem turistas com uma estrutura simples, mas super aconchegante. Lá você encontra camas confortáveis, comidinha caseira, ducha, água fresca e até eletricidade (proveniente de captação solar).

O turismo é uma atividade relativamente nova por lá. A região já chegou a ter 2 mil habitantes na época em que o café era um produto bastante valorizado e comercializado no país. Ao longo dos anos muitos foram deixando o Vale e, com a criação do Parque Nacional, em 1985, restaram apenas alguns moradores, que atualmente recebem os turistas em suas casas. Mas a vida não é fácil para quem mora lá, imagina ter que ir semanalmente buscar mantimentos na vila mais próxima, que fica a mais de 4h de caminhada, entre subidas e descidas. Colchões, geladeiras, tudo tem que ser carregado com o auxílio de mulas, já que não há carros ou estradas.

A gente ficou na casa da Dona Raquel, como falei ali em cima. O jantar foi farto, com arroz, feijão, legumes variados, carne e até uma opção de soja para os vegetarianos. Quanto ao café da manhã, a mesma coisa: tapioca, pão feito em casa, suco, bolo, etc. Tudo foi preparado com muito carinho pelas filhas dela, que atualmente comandam a recepção dos hóspedes.

Casa da Dona Raquel Vale do Pati Chapada DiamantinaCasa da Dona Raquel Vale do Pati Chapada Diamantina

Há também outras casas de nativos que recebem turistas, como o Seu Eduardo, a chamada Prefeitura (antiga sede da região) e a Igrejinha – foto abaixo. Os esquemas costumam ser bem parecidos em termos de preços e acomodações.

Igrejinha Vale do Pati Chapada DiamantinaO que conhecer

Dentro do Vale do Pati são diversas rotas, cachoeiras e visuais de tirar o fôlego. As trilhas para entrar e sair de lá já são um espetáculo, passando pelos Gerais, que são os chapadões sem fim com vegetação rasteira. Vale do Pati Chapada DiamantinaVale do Pati Chapada DiamantinaDentre as cachoeiras mais visitadas, estão a Cachoeira dos Funis (foto abaixo) e a Cachoeira do Calixto. Partindo da casa dos locais (onde você ficará hospedado), as caminhadas são leves, passando pela mata fechada e pelo leito dos rios, com várias pequenas cascatas no caminho. Cachoeira dos Funis Vale do Pati Chapada DiamantinaO Morro do Castelo é uma das principais trilhas no Vale, mas também uma das mais difíceis. A subida é bastante íngreme e bem puxada. Mas chegando lá no topo, é possível entrar em uma rara caverna, construída pela natureza a 1500m de altura. A varanda para a vista é o ponto alto do passeio.

Quem leva o troféu de passeio imperdível é o Cachoeirão, que na época das chuvas conta com até 22 quedas diferentes partindo de diversos pontos dos imensos paredões de pedra que circundam o vale.

O lugar é mágico e rende fotos espetaculares. Há alguns mirantes, sendo esse abaixo o mais famoso. Para os mais assanhados, dá pra se arriscar bem na pontinha dessa pedra, suspensa a 270m do chão. Dá um friiio na barriga! Só o Clei (nosso guia) conseguiu essa façanha.Mirante do Cachoeirão Vale do Pati Chapada Diamantina

Veja também: dicas para conhecer a Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do Brasil

Quanto custa o passeio

A maioria das agências e guias cobra de R$200 a R$300 por dia por pessoa. Isso inclui o guia e a hospedagem com jantar e café da manhã inclusos. O transporte é negociado com as agências.

Claro que dependendo do número de dias que você for ficar e o tamanho do grupo vai influenciar no seu poder de negociação.

Há diversas maneiras de tornar o passeio mais barato. Eu só descobri isso chegando lá, por isso já vou adiantar a vida de vocês aqui:

A pensão completa na casa dos nativos custa em média R$100 por pessoa (1 noite, 1 jantar, 1 café da manhã). Mas há a opção de acampar (R$15 por pessoa) e de cozinhar por conta própria (R$8 por grupo, se não me engano). Para não levar muito peso nas mochilas, (pasmem!) há até mercadinhos vendendo mantimentos lá, entre macarrão, atum, arroz, leite condensado… Encontrei essas vendas na casa do filho da Dona Raquel e na Igrejinha.

Guias e agências de turismo

Devido ao difícil acesso ao Vale do Pati, é bastante importante ter um guia para acompanhá-lo no trajeto. Além de conhecerem o caminho, eles dão uma mão em caso de pequenos acidentes e de perigos do caminho, como cobras (elas são comuns por lá, mas ainda bem que não vimos nenhuma!).

Agências (clique no nome para mais informações)

Vale do Capão: Bicho de Serra (nossa escolha, procurem pelo guia Clei)
Vale do Capão: Chapada Ecoturismo
Lençóis: Fora da Trilha (procurem pelo guia Ian)
Lençóis: Franklin Suzart (75) 9939-3954
Lençóis: Extreme Eco Adventure
Lençóis: Terra Chapada
São Paulo: Adventure Club

Associação de Condutores de Visitantes

Lençóis: (75) 3334-1425
Andaraí: (75) 8137-1679
Ibicoara: (77) 3413-2048
Mucugê: (75) 3338-2414
Vale do Capão: (75) 3344-1087
Iracoara: (75) 3625-1084
Ibicoara: (77) 3413-2468

Checklist com itens essenciais para a trilha

Mochila de ataque de 30-40l (com capa de chuva);
Tênis ou bota de caminhada confortável;
Roupas leves com proteção UV (eu não sabia o quanto era bom ter roupas com proteção até eu usar nessa viagem);
Meias extras;
Toalha de secagem rápida (essencial para os mergulhos nas cachoeiras);
Roupa de banho;
Capa de chuva (muito importante! Digo por experiência própria);
Chapéu ou boné;
Óculos de sol;
Lanterna;
Câmera (para registrar todas as paisagens lindas);
Camel back (reservatório de água com aquela mangueirinha sabe?);
Itens de higiene pessoal em tamanho mini (para não ter peso extra a toa);
Sacolinha de lixo (para não deixar vestígios no caminho).

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