Minha querida amiga e mais nova colaboradora do blog, a Elisa Clavery, está passando um tempo em Bologna, na Itália, e estando na Europa, por que não dar uma passeada por lá? Recentemente ela esteve nos campos de concentracão de Auschwitz-Birkenau na Polônia e veio compartilhar com a gente sua experiencia. É uma história pesada mas que nos é passada com muito cuidado por ela, deixa lágrima nos olhos quando voltamos no tempo e pensamos em tudo o que aconteceu por lá.

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Não quero ofender os livros de História, mas visitar um antigo campo de concentração nazista é uma experiência que leitura nenhuma, jamais, vai trazer. Embora eu não imaginasse que teria essa experiência aos 21 anos, sabia que queria tê-la em algum momento. E foi hoje. Foi agora. Escrevo enquanto volto de ônibus para Cracóvia, principal cidade polonesa perto de Auschwitz. 
 
Auschwitz, em alemão. Oświęcim, em polonês. Campo de concentração nazista, onde foram mortos, pelo menos, 1,3 milhão de prisioneiros. O número real é, provavelmente, mais alto. De acordo com os ideais do antissemitismo, a Polônia – ocupada pela Alemanha e União Soviética entre 1939 e 1945 – seria o lugar ideal para construir o maior campo de concentração da época, uma vez que ali se concentrava a maior quantidade de judeus na Europa. A proximidade facilitaria o transporte e, logo, a tarefa de extermínio dos judeus. Sim, tarefa. Organização e disciplina – no pior sentido que essas palavras podem ter – eram importantes para a Ditadura Alemã e sua Fábrica da Morte. 
 
O acesso ao antigo campo de concentração é gratuito e a visita é dividida em duas partes: Auschwitz I e Birkenau (conhecida como Auschwitz II, a três quilômetros de distância). No entanto, decidi pagar 30 zlotys (equivalente a 8 euros, mais ou menos) pela visita guiada. Embora eu prefira explorar os lugares por mim mesma, nesse caso a visita guiada foi importante: o lugar é muito grande e os guias contam a história com paixão e consciência. 
 
Ironicamente, o portão de entrada para Auscwitz I carrega os dizeres “Arbeit macht frei” que significa “Trabalho leva à Liberdade”. Mentira. Aqueles que trabalhavam em Auschwitz só demoravam um pouco mais a morrer. 
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(No portão de entrada de Auschwitz I, lê-se: “Arbeit macht frei”) 
 
Atualmente, o local serve também de museu, com exposição de objetos pessoais das vítimas, fichas cadastrais e fotos da época. Não tive vontade de tirar fotos lá dentro, mas em alguns lugares é permitido. Os objetos pessoais me impressionaram muito – são milhares de pentes, escovas de dentes, sapatos, brinquedos, que nos dão a sensação de conhecer aquelas pessoas e suas dores. Mas nada se compara à sala onde estão guardadas duas toneladas de cabelo raspado. Duas toneladas de cabelo real. Arrepia. Os visitantes também podem entrar nos crematórios e câmeras de gás, onde, por mais que tentemos, não podemos nem imaginar a dimensão do que acontecia. 
 
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Um ônibus, com o valor incluído na visita guiada, leva ao campo de Birkenau. Algumas pessoas preferem fazer os três quilômetros a pé, mas é difícil ter energia depois de visitar os museus de Auschwitz I. Birkenau é assustadoramente imenso. Quem assistiu à “Lista de Schindler” deve lembrar do portão de entrada, que continua intacto em meio a tantos destroços em Birkenau. Aqui os visitantes podem ver, também, os locais onde dormiam, em condições precárias, os prisioneiros. Quase mil pessoas se amontoavam, num frio que chega à -20*C no inverno.
 
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No fim do “Corredor da Morte”, há um bonito memorial aos judeus assassinados na Segunda Guerra. Hoje, estava lá um grupo de judeus, cantando em homenagem àqueles que foram torturados e mortos. Uma música simples e linda, que contrastava com a atmosfera negra do lugar. 
 
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(Memorial para as vítimas de Auschwitz. Em inglês e em muitas línguas, lê-se: “For ever let this place be a cry of despair and a warning to humanity, where the Nazis murdered about one and a half million men, women, and children, mainly Jews from various countries of Europe. Auschwitz-Birkenau 1940 – 1945″)
 
Tive a sensação de que o sol não aparece por lá, nem mesmo quando o céu está sem nuvens. E já não tenho certeza se o frio é apenas consequência da baixa temperatura ou se as nossas mãos e pés ficam gelados porque reviramos nossa memória com as lembranças do sofrimento que nem chegamos a viver, só ouvimos falar. Não sei se estive lá pelas quatro horas que marcaram no relógio, pela vida inteira ou por alguns minutos. Essas coisas que o tempo faz com a gente… E por falar em tempo, a reflexão de George Santayana é perfeita para entender porque o reconhecimento do passado é tão importante para a humanidade construir o seu futuro: “the one who does not remember history is bound to live through it again”. 
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(#1 Crianças judias chegando em Auschwitz (créditos para o site oficial www.auschwitz.org))
(#2 Pertences das vítimas que chegavam em Auschwitz (créditos para o site oficial www.auschwitz.org))
(#3 Trem original que trazia as vítimas para o campo de concentração em Birkenau)
 
Informações práticas: 
 
– Abertura: 
O museu fica aberto o ano inteiro, sete dias por semana, exceto 1 de Janeiro, 25 de Dezembro e Páscoa. 
 
– Horários: 
Dezembro a Fevereiro: 8h às 15h
Março e Novembro: 8h às 16h
Abril e Outubro: 8h às 17h
Maio e Setembro: 8h às 18h
Junho, Julho e Agosto: 8h às 19h
 
– Transporte: 
Existem ônibus saindo com uma grande frequência da Main Station de Cracóvia, que fica no centro da cidade. O trajeto dura aproxidamente uma hora e vinte minutos. 
 
– Valor: 
Como eu disse, a entrada no campo de concentração é gratuita, mas a visita guiada custa 30 zlotys (8 euros). O transporte, de Cracóvia para Auschwitz custa 24 zlotys, ida e volta (6 euros). Um preço simbólico se pensarmos na aula de História que recebemos em troca.

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Quem escreve | @gaiavani
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9 Responses

  1. Elisa Clavery, estive em Auschwitz-Birkenau em 2007 com minha irmã Halina e minha sobrinha Deborach, fomos ver com nossos próprios olhos os horrores que nosso pai Bolesław Daroszewski nos relatava. Nosso pai escreveu o livro Juventude Guerra Aventura em 2008.

  2. Muito bom relato… pretendo passar pela Polônia em junho próximo e o post de vocês me deu boa noção do que verei por lá. Muitíssimo grato.

  3. Olá adorei o relato e as dicas tenho viagem marcada para Polônia em julho deste ano com a minha filhota pensamos ficar em Cracóvia 2 dias para visitar um pouco a cidade e ir ao Memorial de Auschwitz è fácil arranjar viajem para lá como é em época alta temos receio!! Obrigada pela informaçao

  4. Adoro a Polônia, eu moro na Europa e sempre que posso vou lá visita. Mas tem que ter estômago para visitar um campo de concentração.
    Estou planejando trazer minha família do Brasil para uma visita também. Meu irmão começou até a aprender polonês.

    Aliás, quem quiser uma dica, esse site tem aulas de polonês para crianças:
    https://preply.com/…/professores-polones-para-criancas

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